Gilberto Mendonça Teles – Arte de Armar

§ 1. Com armas e bagagens
e algumas apólices
na armadura

a(r)ma o teu próximo
para o melhor da viagem
nesta leitura:

há sempre um fósforo
na tua gula

§ 2. Arma os dois gumes
da repetição
Arma o virunque
arma o teu cão

Arma o arremesso
arma o teu pulo
arma o teu ermo
e o teu murmúrio

Há sempre avesso
no teu mergulho

§ 3. Se queres a paz
arma o parabélum.
Se queres o pus,
olha para o belo
pavão de teus pés
neste ritmo velho

há sempre um juiz
de coice e martelo.

§. 4 No meio da ponte pênsil
arma o alarma dos teus cinco
sentidos. E arma o silêncio
do paradigma longínquo.

Arma o teu jogo de tênis,
arma o teu jogo de bingo,
arma o teu lance solene
para a sessão de domingo.

Há sempre estirpe de fênix
na ponta da tua língua.

§ 5. E arma o idílio das formas no teu pulso,
que há sempre uma armadilha no discurso.

IN: TELES, Gilberto Mendonça. Arte de Armar. Rio de Janeiro: Imago, 1977.

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