Henry James – Os papéis de Aspern

Os_papeis_de_Aspern Depois de ter lido o clássico “A volta do parafuso” (1898) há muitos anos, eis que uma daquelas [sempre] despretensiosas excursões vespertinas aos sebos do centro da cidade me colocou às mãos um conservado [e raramente disponível nos alfarrabistas locais] exemplar de “Os papéis de Aspern” (1888), pequeno romance [novela, para alguns] do escritor norte-americano [naturalizado britânico] Henry James (15/abr/1843 — 28/fev/1916). Há muito tempo eu andava agarrado ou à literatura ultra-contemporânea [a daqueles autores que te cutucam no Facebook, por exemplo], ou às obras listadas nos vestibulares [que raramente surpreendem]. O advento das férias e o fato de que eu havia ido de ônibus ao centro naquele dia [e, portanto, não precisaria me preocupar com o valor do estacionamento] me fizeram aproveitar o frescor do ar condicionado de uma simpática padaria para começar de imediato a leitura. De sexta passada, dia da aquisição, até hoje, noite de domingo, foram modestas 87 páginas. Nada de grandes acontecimentos, nada de hiperbólico ou quixotesco: apenas um narrador em primeira pessoa não apenas descrevendo com elegância a Veneza do fim do século XIX, mas aguçando progressivamente a curiosidade do leitor em torno da trama. O tal narrador, um editor fanático por um poeta há muito ido, Jeffrey Aspern, faz-se inquilino de Juliana Bordereau, agora uma decrépita anciã, mas que foi amante [e musa] de Jeffrey. Seu plano é tomar posse de cartas e escritos inéditos do poeta que ele está convencido de estarem em poder da senhora. Mas aí é que começa a treta, sobre a qual não direi mais nada.
Henry James, que eu [elogiosamente, diga-se] chamo de “o Machado de Assis americano” [pois além de ter escrito MUITA coisa em muitos gêneros, também era um arauto do Realismo], era um maestro da narração, e “Os papéis de Aspern”, uma de suas mais emblemáticas sinfonias.
Só pra constar, paguei cinco reais. #ShoraRekalk


Atualização [14/12/2015]: O pessoal da editora Penalux publicou uma nova tradução desse romance, que pode ser adquirida neste link. Uma amostra da edição pode ser lida clicando-se aqui.

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