200 obras essenciais da literatura brasileira e mundial

O site Educar Para Crescer publicou em 2011 duas ótimas listas para quem está interessado em mergulhar no universo dos clássicos e não sabe por onde começar. Trata-se de “100 livros essenciais da literatura brasileira“, de Hélio Ponciano e Marcelo Pen, e “100 livros essenciais da literatura mundial“, de Almir de Freitas. Esta última tem uma organização um pouco melhor, já que permite acesso a uma sinopse de cada obra sem ter que abrir uma nova página [clicando-se no nome do livro, ela aparece logo abaixo]. A qualidade da lista nacional, entretanto, ameniza essa pequena desvantagem técnica.

Que livros te interessaram dessas listas? Quais indicarias a leitores do ensino médio e, o principal, por quê? Aguardo tuas respostas!

 

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Muitas Mãos: Antologia Literária

Ofereço graciosamente para vossa apreciação a versão digital final do livro que organizei com textos literários de vários alunos do Ensino Médio da Escola Autonomia. Se alguém preferir a versão em PDF “normal”, o link está aí embaixo também. A leitura de vocês é importante, com certeza, mas o feedback é a glória. Eles vão gostar de ouvir opiniões alheias.
Abraço!

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Link do PDF aqui.

Paul Auster – No País das Últimas Coisas

Uma pausa na minha leitura e na zoeira eleitoral para dizer a vocês que adquiram ou peguem emprestado o livro “No País das Últimas Coisas” (1987), do americano Paul Auster. É uma distopia que se passa num planeta Terra pós-apocalíptico, com todas as mazelas que normalmente rolam nesse tipo de narrativa, mas com uma atenção à linguagem muito peculiar. O trecho abaixo é um bem óbvio – mas não menos lindo – exemplo disso. Acabei de começar e tô empolgadíssimo. Para quem gosta de literatura distópica, recomendo também as obras listadas no fim do artigo. Divirtam-se.

"No País das Últimas Coisas", de Paul Auster

Algumas obras de “Literatura distópica”

“Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago.
“1984”, de George Orwell.
“Neuromancer”, de Willian Gibson.
“Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley.
“Laranja Mecânica, de Anthony Burguess
“Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury.
“Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins.

 

Como falar dos livros que não lemos?

Nesta semana, ao entrar na sala de uma das turmas do 2º ano para uma avaliação sobre “A Luneta Mágica” (Joaquim Manuel de Macedo), uma das obras de nossa lista de leituras de 2013, percebi que o número de “ah, profe, vamos discutir mais um pouco antes de fazer prova”, “tô lendo, mas não acabei” e “não consegui nem começar” estava grande. Resumindo, meia dúzia havia lido. Geralmente, minhas avaliações sobre livros visam principalmente a fazer com que o aluno associe a leitura a algum tema da vida cotidiana, contemporâneo ou não, e que consiga articular sua leitura com algo mais que datas, nomes e (argh!) escolas literárias.

Pois bem, o fato óbvio é: a avaliação seria desastrosa sem a leitura da obra. Como há dias em que meu sadismo escolar está relativamente baixo – isso geralmente coincide com um sono estável na noite anterior -, resolvi improvisar (aliás, uma de minhas atividades favoritas). Lembrei do livro “Como falar dos livros que não lemos?”, do francês Pierre Bayard, procurei no Google por alguma boa resenha e encontrei a da Fernanda Müller, colega do programa de pós-graduação em Literatura da UFSC.

A partir da polêmica proposta de Bayard e da discussão sobre estratégias que podemos utilizar para falar, sem passar vergonha, de coisas que não conhecemos senão superficialmente, pedi a eles que escrevessem um texto no qual ensinariam estratégias de não leitura a possíveis interessados. O gênero “texto de blog” foi sugerido por uma das turmas e acabou sendo o mais interessante. Os resultados, já em minhas mãos, foram surpreendentes e muito, muito divertidos.

Sugiro a leitura do artigo supracitado, do livro e de muita literatura. Afinal, é sempre melhor não ter que usar estratégias de embuste tão sofisticadas. Vai que teu interlocutor as está usando também?

Edmodo, Feeds RSS e outros bichos

Neste ano iniciaremos em nossa disciplina o uso do Edmodo para a postagem de trabalhos. O visual é bem parecido com o do Facebook, ou seja, é bastante intuitivo e bem simples de acompanhar. As instruções para cadastro e os códigos de grupo [necessários no cadastro] estão neste link.

Outra coisa legal para quem tem que acompanhar vários blogs ao mesmo tempo [que é o caso de vocês com os blogs dos professores] é usar feeds RSS. O que é? Como funciona? O que ganho com isso? Tudo está respondido neste link.

Como fazer uma redação nota 10

O artigo abaixo, parte integrante do livro (Sobre)screvendo a Redação de Vestibular, é uma reflexão sobre a redação de vestibular, mas a abordagem utilizada o torna útil também para quem ainda não está às vésperas da tão esperada [e indevidamente temida] prova. Seguem a seguir o resumo do artigo e o link para download.

Resumo: O presente artigo discute a possibilidade de se produzirem textos de qualidade em situação de concurso vestibular. Para tanto, utilizando diferentes ferramentas, que contemplam aspectos lingüísticos, temáticos, pragmáticos, textuais e discursivos, analisamos dois textos autênticos, produzidos em situação de prova e avaliados com nota máxima. São enfatizados quesitos relevantes para a constituição de um texto autoral, que se situe para além das fórmulas/fôrmas que tantas vezes desviam o foco de atenção de professores (bem intencionados) e alunos (bem ansiosos), seja pelo compromisso de dar conta de uma estrutura pré-estabelecida, seja pelo excesso de preocupação com a correção gramatical em detrimento da organização e pertinência das idéias.

Palavras-chave: Redação de vestibular. Qualidades do texto. Criatividade e autoria.

SMITH, Marisa Magnus – Como se faz uma redação nota 10

Manoel de Barros – Matéria de Poesia (lido por Sandro Brincher)

Do que trata a poesia? Qual seu foco? De que ela se ocupa? Há infinitas respostas para essas perguntas, mas uma das mais bonitas é a do poeta Manoel de Barros, cuja obra está centrada justamente nas coisas mais pequenas, inúteis e imperceptíveis de nossa existência. O arquivo de áudio abaixo é minha leitura do poema “Matéria de Poesia”, no qual ele apresenta sua “teoria” sobre o(s) objeto(s) da poesia.

Manoel de Barros – Matéria de Poesia (lido por Brincher)

A Antônio Houaiss (1974)

Todas as coisas cujos valores podem ser
disputados no cuspe à distância
servem para a poesia

O homem que possui um pente
e uma árvore
serve para poesia

Terreno de 10×20, sujo de mato – os que
nele gorjeiam: detritos semoventes, latas
servem para poesia

Um chevrolé gosmento
Coleção de besouros abstêmios
O bule de Braque sem boca
são bons para poesia

As coisas que não levam a nada
têm grande importância

Cada coisa ordinária é um elemento de estima

Cada coisa sem préstimo
tem seu lugar
na poesia ou na geral

O que se encontra em ninho de joão-ferreira :
caco de vidro, garampos,
retratos de formatura,
servem demais para poesia

As coisas que não pretendem, como
por exemplo: pedras que cheiram
água, homens
que atravessam períodos de árvore,
se prestam para poesia

Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma
e que você não pode vender no mercado
como, por exemplo, o coração verde
dos pássaros,
serve para poesia

As coisas que os líquenes comem
– sapatos, adjetivos –
tem muita importância para os pulmões
da poesia

Tudo aquilo que a nossa
civilização rejeita, pisa e mija em cima,
serve para poesia

Os loucos de água e estandarte
servem demais
O traste é ótimo
O pobre – diabo é colosso

Tudo que explique
o alicate cremoso
e o lodo das estrelas
serve demais da conta

Pessoas desimportantes
dão para poesia
qualquer pessoa ou escada

Tudo que explique
a lagartixa de esteira
e a laminação de sabiás
é muito importante para a poesia

O que é bom para o lixo é bom para poesia

Importante sobremaneira é a palavra repositório;
a palavra repositório eu conheço bem:
tem muitas repercussões
como um algibe entupido de silêncio
sabe a destroços

As coisas jogadas fora
têm grande importância
– como um homem jogado fora

IN: BARROS, Manoel de. Gramática Expositiva do Chão (Poesia quase toda). Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 1990.

Carta de Isaac Asimov aos futuros leitores de uma nova biblioteca

Como os livros funcionam

“16 de março de 1971

Caros Meninos e Meninas,

Parabéns pela nova biblioteca, porque não é apenas uma biblioteca. É uma espaçonave que os levará aos mais distantes confins do Universo, uma máquina do tempo que os levará ao passado longínquo e o futuro a perder de vista, um professor que sabe mais do que qualquer ser humano, um amigo que os divertirá e os consolará – e, acima de tudo, um portal para uma vida melhor, mais feliz e mais útil. Isaac Asimov

É uma das 97 cartas enviadas por personalidades às crianças na abertura da nova biblioteca de Tory, Michigan, EUA, em 1971 por uma iniciativa de Marguerite Hart, que simplesmente escreveu às figuras famosas pedindo que dirigissem palavras de incentivo aos leitores. Quatro décadas depois, a mesma biblioteca, como muitas, enfrenta dificuldades e pode ser fechada.

Fonte: Science Blogs

Simulado II: conteúdos

Os conteúdos para nosso segundo vestibular simulado deste ano serão:

  • 1º ano: a Carta de achamento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha, e algumas questões  interpretativas relacionadas a ela e à literatura desse período; questões sobre o conceito de Alteridade, conforme discutido em sala de aula.
  • 2º ano: as novas conjunturas sócio-econômicas e culturais do Brasil do início do século XX e suas influências na Arte e na Literatura do período; uma questão sobre o poema Psicologia de um vencido, de Augusto dos Anjos.
  • 3º ano: Arte e Literatura barrocas; duas questões interpretativas sobre um poema de Gregório de Mattos; uma questão relacionando a carta a El-Rei D. Manuel (Pero Vaz de Caminha), os Sermões (Padre Antônio Vieira) e Inocência (Visconde de Taunay); uma questão sobre a noção de cânone literário (diferente de cânone religioso).

Bons estudos!